Menopausa e Reposição Hormonal: O que a ciência diz.
- Dra. Janifer Trizi

- 16 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: há 1 dia

A menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento, perda de vitalidade ou declínio da saúde. A ciência já demonstrou que, quando bem conduzida, essa fase pode ser vivida com equilíbrio, energia e qualidade de vida.
O que é a menopausa e por que ela impacta tanto o organismo feminino
A menopausa é definida como o encerramento definitivo da função ovariana, caracterizada pela queda progressiva dos níveis de estrogênio e progesterona. Esses hormônios exercem funções essenciais no organismo feminino, indo muito além do ciclo menstrual. Eles participam da regulação do metabolismo, da saúde óssea, da função cardiovascular, da cognição, do humor e da composição corporal.
Com a redução hormonal, o corpo passa por adaptações importantes. Sintomas como ondas de calor, insônia, alterações de humor, fadiga, perda de massa muscular e ganho de gordura abdominal não são sinais isolados, mas manifestações fisiológicas de um organismo que perdeu parte de sua regulação hormonal natural.
Os principais sintomas da menopausa sob a ótica científica
Do ponto de vista fisiológico, os sintomas da menopausa estão diretamente relacionados à deficiência estrogênica e às suas repercussões sistêmicas. Entre os mais frequentes estão:
Fogachos e sudorese noturna, decorrentes da instabilidade do centro termorregulador
Alterações do sono, com impacto direto na produção de melatonina
Mudanças no humor, ansiedade e maior risco de sintomas depressivos
Redução da densidade óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose
Alterações metabólicas, favorecendo resistência insulínica e ganho de peso
Esses sintomas variam de intensidade entre as mulheres, mas não devem ser minimizados ou considerados “normais a ponto de não tratar”.
Reposição hormonal: o que a ciência realmente diz
A reposição hormonal tem como objetivo restabelecer níveis hormonais mais próximos do fisiológico, reduzindo os impactos da deficiência estrogênica. Estudos científicos consistentes demonstram que, quando indicada de forma correta e individualizada, a terapia hormonal pode:
Reduzir significativamente os sintomas vasomotores
Melhorar a qualidade do sono e o bem-estar emocional
Proteger a massa óssea e reduzir o risco de fraturas
Contribuir para a saúde cardiovascular em mulheres selecionadas
Auxiliar na manutenção do metabolismo e da composição corporal
É fundamental destacar que a reposição hormonal não é uma abordagem padronizada. Ela deve ser cuidadosamente avaliada, considerando idade, histórico clínico, riscos individuais e momento do início da terapia.
Individualização do tratamento: pilar da segurança e eficácia
A medicina moderna não trabalha com protocolos rígidos para todas as mulheres. A abordagem científica da menopausa exige personalização. Isso inclui a escolha do tipo de hormônio, via de administração, dose adequada e acompanhamento contínuo.
A avaliação clínica detalhada, aliada a exames laboratoriais e análise do estilo de vida, permite que o tratamento seja ajustado com precisão, reduzindo riscos e potencializando benefícios.
Reposição hormonal não é estética, é saúde
Um erro comum é associar a reposição hormonal apenas ao alívio de sintomas ou à estética. Na realidade, estamos falando de prevenção de doenças e preservação da saúde a longo prazo. A deficiência hormonal prolongada está associada ao aumento do risco cardiovascular, perda cognitiva, sarcopenia e fragilidade óssea.
Cuidar da menopausa de forma científica é investir em longevidade com qualidade, autonomia e funcionalidade.
O papel do acompanhamento médico especializado
A condução adequada da menopausa exige conhecimento atualizado e visão integrativa. O acompanhamento médico especializado permite monitorar respostas ao tratamento, ajustar doses e identificar precocemente qualquer intercorrência.
Menopausa não deve ser enfrentada sozinha, nem tratada com soluções genéricas. Informação, ciência e acompanhamento são os pilares para uma transição segura e saudável.



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